Trota-mundos com saudades do Gerês

Partilhe

Um dos raros escritores de viagens profissionais, Filipe Morato Gomes, o trota-mundos da Alma do Viajante, apadrinha o tiro de partida do MINHO GO. Vamos matar saudades do Gerês? Podemos começar pelo Mezio, Castro Laboreiro e Ventozelo (Terras de Bouro)?

Filipe Morato Gomes é a Alma de Viajante. E vice-versa. É um dos raros bloggers de viagens profissionais em Portugal. Ou seja, um viajante que partilha numa página na internet as experiências com dicas e sugestões e que através desse processo laborioso consegue pagar as contas ao fim do mês. Nasceu no Porto em 1971, mas só lá viveu dois anos. Os primeiros, antes de se mudar para Santo Tirso e por lá ficar até aos nove e assentar arraiais na região minhota por 28 anos (Famalicão e Braga – em 2007 mudou-se para Matosinhos). Era um de vários prenúncios para a vida: a chegada ao Minho, aonde viveu mais de metade da vida este trota-mundos a caminhar para o meio século (completa 49 este mês), as férias e escapadelas, então quase sempre dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, único com esta classificação em Portugal. A Alma de Viajante ganhou forma aqui e, com tanto mundo percorrido, diz a O MINHO GO algo tão profundamente minhoto: “Tenho saudades do Gerês”.

“Tenho saudades do Gerês. Durante toda a minha infância, fiz lá férias. Desde o tempo em que ia para o Mezio fazer campismo selvagem, que ainda era legal. Montávamos tudo, tenda, cozinha, tudo. E tomávamos banho nos rios gelados. Desde aí, passei muitos verões e natais nas casas do parque, que se podiam alugar”, conta Filipe.

“Íamos duas vezes por ano, o que na altura nem era muito comum. E quando muita gente ia para o Algarve, eu e a minha família, os meus pais, irmão, primos e tios, íamos para o Gerês”, contextualiza, referindo-se aos anos oitenta do século passado.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Pelos caminhos do Alto Minho. Fotografia @joao.bernardino #polifoniasaltominho

Uma publicação partilhada por Polifonias Alto Minho (@polifonias.altominho) a

“De Castro Laboreiro, à casa de abrigo de Ventozelo em Terras de Bouro [hoje, um hotel] e os passeios na aldeia do Soajo, e Vilarinho das Furnas: quando ainda dava para ver a aldeia submersa. Fiz férias de verão ou férias de natal – a casa de Ventozelo nem eletricidade tinha…”.

“Os três grandes eixos da minha infância e juventude foram o campismo selvagem no Mezio, a casa de abrigo de Ventozelo e Castro Laboreiro, com a zona envolvente, os cães, tudo. Lembrei-me agora que ficávamos na Casa Abrigo do Barreiro, em Castro Laboreiro”, prossegue Filipe Morato Gomes.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Fiar = Reduzir ou torcer qualquer matéria filamentosa até formar um fio (Fiadeiras do Soajo) Fotografia @alexcoelholima #polifoniasaltominho

Uma publicação partilhada por Polifonias Alto Minho (@polifonias.altominho) a

E continua a viajar, agora no tempo: “Tinha um tio que levava cartas militares, que eram melhores do que o Google Maps, tinha todos os pontos cartografados. Fazíamos caminhadas pelo interior das matas, íamos a monumentos como a Ponte da Cava da Velha. Para nós, que éramos crianças, eu, o meu irmão e os meus primos, era uma aventura maravilhosa. Lembro-me que púnhamos os melões no rio para ficarem fresquinhos.”

“E ainda há Pitões das Júnias. Não íamos tanto, mas também passávamos lá temporadas”, recupera ainda.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

As brumas do rio Minho pela lente de @joao.bernardino #polifoniasaltominho

Uma publicação partilhada por Polifonias Alto Minho (@polifonias.altominho) a

Por fim, a “parte gastronómica”. “Nas minhas viagens, tento sempre experimentar os pratos típicos dos locais que visito. Mas pensar em comida, é pensar no Minho. Pica no chão [conhecido por arroz de cabidela]? É no Minho. Rojões? É no Minho. Papas de sarrabulho? É no Minho. Lampreia, de que nem gosto tanto? É no Minho”, saliva a Alma de Viajante.


Partilhe
keyboard_arrow_up